Funatura promove debate sobre carbono, conservação e incentivos financeiros no Cerrado

Por Lara Réquia

29 de maio de 2026

Especialistas e instituições debateram estratégias para fortalecer a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável no Cerrado.

A Funatura realizou, nesta quinta-feira (28), em Brasília (DF), o evento “Onde a Onça Bebe Água: Carbono, Conservação e Incentivos no Cerrado”. Promovida por meio do projeto Onde a Onça Bebe Água: Comunidades e Bem-Viver, a iniciativa foi executada pela Funatura em parceria com a Petrobras, no âmbito do programa Petrobras Socioambiental.

O econtro  reuniu representantes de instituições públicas, organizações socioambientais, especialistas e setor privado para debater caminhos e oportunidades relacionados aos créditos de carbono, conservação da biodiversidade e mecanismos financeiros voltados à proteção do Cerrado.

Realizado no auditório do Prevfogo/IBAMA, o encontro promoveu diálogos sobre conservação em áreas privadas, corredores ecológicos para onça-pintada, mercado de carbono, restauração ecológica e incentivos financeiros capazes de fortalecer iniciativas de conservação no território.

Conservação, carbono e inclusão social

O superintendente executivo da Funatura, Pedro Bruzzi, destacou a importância do encontro para a construção de estratégias inovadoras de conservação no bioma.

Segundo Pedro, o evento representa um momento importante para consolidar novas perspectivas para a conservação em áreas privadas no Cerrado.

Essa oficina está proporcionando a materialização de estratégias fundamentais para a conservação do Cerrado na escala da paisagem. Entendemos que, na medida em que conseguirmos avançar com os créditos de biodiversidade e créditos de carbono, especialmente voltados às RPPNs, é possível transformar a conservação da natureza em um bom negócio, gerando benefícios ambientais, sociais e econômicos”, afirma.

Foto: Lara Réquia

Pedro também ressaltou que o projeto prioriza ações de inclusão social e fortalecimento comunitário antes mesmo da geração de créditos de carbono.

A gente inicia o nosso trabalho com ações de inclusão social, ações de restauração, ações de monitoramento da biodiversidade e o crédito de carbono vai sendo conquistado ao longo de um trabalho consistente, sólido e de longo prazo no território”, destaca.

Integrando desenvolvimento social com conservação 

Representando a Petrobras, Gregório da Cruz Araújo reforçou a importância de integrar conservação ambiental e desenvolvimento social nas iniciativas apoiadas pela empresa.

Segundo ele, os projetos precisam gerar impacto positivo nos territórios antes da monetização dos serviços ecossistêmicos.

A gente tenta articular questões sociais e ambientais entendendo que sociedade e meio ambiente são um todo integrado. A partir dessa articulação entre conservação, empoderamento comunitário e desenvolvimento de competências, os serviços ecossistêmicos passam a ser valorizados”, afirma.

Foto: Lara Réquia

Gregório também destacou que projetos de conservação e restauração já contribuem diretamente para a captura de carbono e redução de emissões, sendo fundamental avançar na quantificação e valorização desses serviços ecossistêmicos.

Corredores ecológicos para onça-pintada

Durante o evento, a coordenadora do projeto Onde a Onça Bebe Água, Samantha Rincón, apresentou os estudos de modelagem de corredores ecológicos para onça-pintada nas áreas de atuação do projeto.

Segundo Samantha, o trabalho busca identificar áreas prioritárias para manutenção da conectividade entre populações da espécie no Cerrado.

Estamos tentando descobrir quais são os corredores ecológicos que as onças estão utilizando para se movimentar entre unidades de conservação e áreas núcleo nas regiões de atuação do projeto”, explica.

Foto: Lara Réquia

Ela destacou ainda que os dados levantados ajudam a orientar ações estratégicas de conservação em propriedades privadas.

Precisamos encontrar mecanismos financeiros capazes de apoiar a conservação em áreas privadas e gerar renda associada à conservação da natureza. Isso também pode estimular a criação de novas RPPNs e fortalecer a conectividade das populações de onça-pintada”, afirma.

Construção de soluções para o Cerrado

A programação contou ainda com debates sobre legislação climática, metodologias para créditos de biodiversidade, PSA Carbonflor, estudos técnicos de viabilidade para geração de créditos de carbono e uma mesa redonda sobre desafios e oportunidades para implementação de mecanismos financeiros no Cerrado.

O evento reforça o compromisso da Funatura com a construção de soluções integradas para conservação da biodiversidade, fortalecimento comunitário e desenvolvimento sustentável no Cerrado, conectando natureza, pessoas e territórios.

A transmissão completa do evento está disponível no canal da Funatura no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=ci_eRlBHcPA&t=3316s

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