Entre corredores ecológicos e áreas protegidas: mesa debate caminhos da conservação territorial no Brasil

Por Lara Réquia

27 de maio de 2026

Créditos: Lara Réquia

Participação da Funatura destacou a contribuição histórica das RPPNs e das estratégias de conectividade para a conservação da biodiversidade

A Funatura participou da mesa “Conservação da biodiversidade, áreas protegidas, corredores ecológicos e fauna silvestre” durante o XII SAPIS e VII ELAPIS, realizado em Brasília (DF). A atividade reuniu especialistas, pesquisadores e representantes de instituições ligadas à conservação ambiental para debater desafios e estratégias voltadas à proteção da biodiversidade e à conectividade de paisagens.

A mesa contou com a participação de José Luiz de Andrade Franco, Pedro Bruzzi Lion, Yuliana Garcés Arboleda, Ugo Eichler Vercillo e Célia Maria Machado Ambrozio, trazendo diferentes perspectivas sobre áreas protegidas, corredores ecológicos, coexistência entre pessoas e fauna silvestre e conservação territorial.

A trajetória da Funatura na conservação ambiental brasileira

Durante a mesa, Pedro Bruzzi Lion apresentou a trajetória da Funatura e sua contribuição histórica para a conservação ambiental no Brasil, com destaque para o fortalecimento das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e das estratégias de conectividade ecológica.

A apresentação teve como base a dissertação desenvolvida por Pedro sobre a história da Funatura e sua atuação na consolidação da conservação em áreas privadas no país.

“A missão da Funatura sempre esteve ligada à defesa do meio ambiente brasileiro, com ênfase na manutenção da diversidade biológica e na melhoria da qualidade de vida da população”, destacou Pedro durante a apresentação.

Pedro relembrou que a Funatura foi criada em 1986 e, já em 1987, lançou o programa Santuário de Vida Silvestre, iniciativa pioneira de conservação em áreas privadas no Brasil, anterior inclusive à regulamentação oficial das RPPNs pelo Ibama, publicada em 1990.

A apresentação também destacou a contribuição histórica da instituição para a criação do Parque Nacional Grande Sertão Veredas e para a elaboração do anteprojeto de lei que posteriormente deu origem ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).

Maria Tereza Jorge Pádua e a construção da conservação no Brasil

Outro ponto abordado durante a apresentação foi o papel da ambientalista Maria Tereza Jorge Pádua na criação da Funatura e na consolidação das políticas de conservação ambiental brasileiras.

Pedro destacou a articulação liderada por Maria Tereza para aproximar pesquisadores, ambientalistas e especialistas que contribuíram para a estruturação das bases técnico-científicas da conservação no país, incluindo estudos que subsidiaram a criação de grandes unidades de conservação, especialmente na Amazônia.

A fala também relembrou a atuação da Funatura na tradução desse conhecimento científico em instrumentos concretos de conservação, como leis, decretos e estratégias territoriais voltadas à proteção da biodiversidade.

RPPNs e conectividade ecológica no Cerrado

A apresentação reforçou ainda a importância das RPPNs para a conservação do Cerrado e para a conectividade entre áreas protegidas. Pedro destacou que, diante da intensa fragmentação do bioma e da predominância de áreas privadas no território, as reservas privadas passaram a desempenhar um papel estratégico na manutenção da biodiversidade.

“Atualmente, as RPPNs possuem uma importância extremamente significativa para a manutenção da conectividade da paisagem”, afirmou.

A Chapada dos Veadeiros foi apresentada como um dos principais exemplos dessa estratégia territorial, reunindo uma rede de RPPNs conectadas ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e a outras áreas protegidas da região.

Pedro também destacou o papel da Funatura na articulação entre proprietários, territórios e iniciativas de conservação, incluindo o processo de reconhecimento do Mosaico Veadeiros–Paranã como estratégia de gestão integrada da paisagem.

Conservação, coexistência e justiça socioambiental

Além da apresentação da Funatura, a mesa reuniu debates sobre coexistência entre seres humanos e fauna silvestre, corredores ecológicos, OMECs e os desafios políticos da conservação territorial.

As discussões reforçaram a importância de estratégias de conservação que integrem biodiversidade, conectividade ecológica, governança territorial e justiça socioambiental, considerando também o papel das populações locais, comunidades tradicionais e áreas privadas na proteção dos ecossistemas.

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