Foto Isabella Lucena
A Funatura participou do painel “Bioeconomia como Solução Climática”, promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em parceria com a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) durante a COP30, apresentando a perspectiva institucional sobre o papel estratégico da sociobiodiversidade na conservação dos territórios e no enfrentamento da crise climática.
Em um momento em que o mundo discute caminhos urgentes para frear o aquecimento global, trazer o Cerrado para o centro do debate é essencial. O bioma, conhecido como Coração das Águas do Brasil, abriga uma riqueza única de espécies, modos de vida e saberes tradicionais, e é justamente nele que a Funatura estrutura grande parte de sua atuação.
Sociobioeconomia: quando o território é o caminho
Para a Funatura, falar de bioeconomia é falar de algo mais específico e profundo: sociobioeconomia. Um modelo que reconhece que os produtos da sociobiodiversidade, como baru, pequi, buriti, jatobá, mangaba, fava-d’anta, cagaita e tantos outros, são mais do que recursos naturais. São cultura, identidade, território, renda e permanência.
Ao fortalecer cadeias produtivas comunitárias, a sociobioeconomia:
- protege áreas naturais;
- gera renda e autonomia para povos e comunidades tradicionais;
- contribui para regularização fundiária e segurança territorial;
- reduz pressões sobre o bioma;
- promove adaptação e mitigação climática de forma direta.
Esse trabalho está presente em diversas frentes apoiadas pela Funatura, como a Rede Sociobio, a atuação na Chapada dos Veadeiros (GO), o fortalecimento de empreendimentos no Grande Sertão Veredas e ações com cooperativas como a Central do Cerrado, Núcleo do Pequi, CopaBase, Cooperuaçu, CoopSertão, Cooper Frutos do Paraíso e a Associação Quilombo Kalunga (AQK), dentre outras iniciativas comunitárias e produtivas que integram a sociobiodiversidade do Cerrado.
Territórios que sustentam o clima
A sociobioeconomia mostra, na prática, que conservar o Cerrado não significa abrir mão de desenvolvimento, pelo contrário.
Quando os territórios geram renda a partir dos próprios recursos naturais, eles se fortalecem, se mantêm vivos e se tornam aliados essenciais na luta contra a crise climática.
Essa visão foi apresentada pela Funatura no painel, reforçando o compromisso institucional com soluções que valorizam quem cuida da terra.
Pedro Bruzzi, superintendente executivo da Funatura, ressalta que para a Funatura, a sociobioeconomia nasce dos territórios e pertence aos povos e comunidades tradicionais. “Quando fortalecemos cadeias como a do baru, do pequi, do jatobá ou da mangaba, não estamos apenas apoiando produtos: estamos garantindo permanência, renda, identidade e proteção. Cada território fortalecido é uma resposta concreta à crise climática, porque onde há comunidade viva, há conservação”, afirma Bruzzi.
Compromisso com o Cerrado e com o clima
A participação da Funatura na COP30 reafirma uma convicção central: a solução climática passa pelos territórios, pelos povos tradicionais e pela sociobiodiversidade.
A sociobioeconomia não é uma promessa futura, ela já é realidade no Cerrado, nos sertões e nas comunidades que seguem cuidando da terra com sabedoria e resiliência.
Foto Isabella Lucena
Foto Isabella Lucena
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