Funatura lança a Articulação Veadeiros para desenhar estratégias integradas de combate aos incêndios florestais no Cerrado

Por Thales Lima

10 de abril de 2026

Iniciativa une poder público, proprietários de RPPNs e sociedade civil para estruturar uma governança territorial diante das ameaças climáticas de 2026

Em uma iniciativa estratégica para proteger um dos ecossistemas mais biodiversos do mundo, a Fundação Pró-Natureza (Funatura) oficializou no último dia 31 de março o lançamento da Articulação Veadeiros. O evento, realizado no Centro UnB Cerrado, em Alto Paraíso de Goiás, marcou o início de uma coalizão inédita para enfrentar o ciclo crescente de incêndios florestais que ameaçam não apenas a integridade do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, mas todo o mosaico de áreas protegidas e comunidades rurais em seu entorno.

A motivação para a criação da Articulação Veadeiros reside nos dados alarmantes da última temporada de fogo. Em 2025, a região da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto viu mais de 89 mil hectares serem consumidos pelas chamas, um contraste drástico com os cerca de 6.400 hectares registrados dentro dos limites do Parque Nacional. Essa disparidade evidenciou um descompasso estrutural grave: enquanto a Unidade de Conservação federal conta com planos de manejo e brigadas permanentes, as áreas privadas e as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) ao redor permanecem vulneráveis, com baixa capacidade de resposta e falta de integração operacional.

De acordo com Pedro Bruzzi, a iniciativa nasceu de um diálogo na Rede de RPPNs da Chapada dos Veadeiros, que identificou a urgência de uma ação integrada para a prevenção de incêndios florestais.

“A Articulação Veadeiros tem o papel de integrar os principais atores locais na agenda de controle de queimadas. O projeto une o planejamento das RPPNs às ações governamentais e institucionais já em curso, envolvendo órgãos como Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad), Corpo de Bombeiros, Prevfogo/Ibama, ICMBio, a gestão do Parque Nacional e as brigadas locais e voluntárias”, explica Bruzzi.

Fotos: Mila Petrillo / Instituto AlokFotos: Mila Petrillo / Instituto Alok

Sob a liderança da Funatura, a Articulação Veadeiros se propõe a ser o elo entre diferentes esferas de gestão. A ideia central é que a prevenção e o combate aos incêndios não ocorram de forma isolada em cada propriedade, mas sim como uma governança territorial contínua, capaz de proteger a biodiversidade e as comunidades locais de forma sistêmica.

O encontro, que contou com o apoio do Instituto Alok, reuniu lideranças ambientais, órgãos públicos, proprietários de RPPNs e representantes do terceiro setor com um objetivo urgente: estruturar uma resposta integrada e territorial contra os incêndios florestais na Chapada dos Veadeiros.

Para Devam Bhaskar, diretor do Instituto Alok, a crescente intensidade dos incêndios na Chapada dos Veadeiros ao longo dos anos exige uma resposta ainda mais fortalecida, considerando obviamente todos os aprendizados de importantes ações já levadas adiante por organizações como o ICMBio e o Corpo de Bombeiros. A Articulação Veadeiros nasce para complementar e unir as frentes dentro e fora do Parque Nacional.

“Através da Articulação Veadeiros, o Instituto Alok tem a alegria de somar-se a estes esforços. Esperamos que mais setores, entidades e a iniciativa privada se unam a nós, sobretudo os empresários da região e de todo o país que possuem sensibilidade pela natureza e que guardam uma conexão afetiva com os rios e cachoeiras da Chapada”, ressalta Bhaskar.

A urgência do projeto é acentuada pelas previsões meteorológicas para 2026. Com o fim do fenômeno La Niña e a transição para um novo El Niño, a tendência é de que o Centro-Oeste enfrente períodos ainda mais secos e quentes, elevando drasticamente o risco de queimadas. Durante o encontro, os participantes iniciaram um inventário de recursos materiais e identificaram as medidas de preparação já adotadas por cada instituição, mapeando as lacunas que precisam de aprimoramento imediato.

Fotos: Mila Petrillo / Instituto Alok

Fotos: Mila Petrillo / Instituto Alok

Como próximos passos, a Funatura trabalha agora na elaboração de um estudo técnico detalhado sobre a região. Este documento servirá de base para a criação de um plano de ação de curto e médio prazo, que incluirá a definição compartilhada de responsabilidades e estratégias de financiamento. 

O foco permanece na estruturação técnica, no uso de tecnologia de monitoramento e no fortalecimento das brigadas treinadas. Com a consolidação desta rede, a expectativa é que a Chapada dos Veadeiros chegue ao período crítico de 2026 com uma capacidade de resposta rápida e, acima de tudo, uma estratégia de prevenção que garanta a resiliência climática de um dos patrimônios naturais mais importantes do Brasil.

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