Funatura participa de debate na COP15 sobre conservação de espécies migratórias em RPPNs

Por Lara Réquia

26 de março de 2026

Mesa no Espaço Brasil destacou o Pantanal e o papel das áreas privadas na conservação em escala regional

A Fundação Pró-Natureza (Funatura) participou, na manhã desta quarta-feira (26), de uma mesa técnica na COP15 — Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres — realizada no Espaço Brasil, em Campo Grande (MS).

O encontro reuniu especialistas e instituições para discutir o papel das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) na conservação de espécies migratórias, com destaque para experiências consolidadas no Pantanal, um dos principais territórios para a manutenção dessas espécies na América do Sul.

A participação da Funatura integrou o debate a partir de sua trajetória na produção de conhecimento científico e na promoção da conservação em áreas privadas no Brasil.

Com atuação contínua na RPPN desde 1998 e no Pantanal desde 1979, o ornitólogo e coordenador de projeto da Funatura, Paulo Antas, contribuiu de forma decisiva para consolidar a área como um dos principais polos de produção de conhecimento sobre a avifauna pantaneira. Suas pesquisas aprofundaram o entendimento sobre espécies que utilizam o rio Cuiabá como área de reprodução, com destaque para o corta-águas (Rynchops niger), cuja dinâmica migratória conecta a reserva a diferentes ecossistemas do Cone Sul. Como destaca o pesquisador, “a proteção das áreas de reprodução na RPPN é fundamental para a manutenção dessas populações ao longo de toda a sua rota migratória”, evidenciando o papel estratégico da reserva na conservação de espécies que dependem de ambientes úmidos ao longo de seu ciclo de vida.

Durante a mesa, foram apresentados resultados de pesquisas de longo prazo que evidenciam a relação direta entre a dinâmica hídrica do Pantanal e os ciclos reprodutivos das espécies migratórias, reforçando a importância das áreas úmidas como base para a manutenção desses processos ecológicos .

A partir de 2018, as pesquisas foram ampliadas em uma articulação institucional entre a Fundação Pró-Natureza (Funatura), o Sesc Pantanal, a Universidade da Flórida (Gainesville) e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), incorporando novas frentes de investigação. Entre elas, destaca-se a análise do papel de aves migratórias como vetores não intencionais de patógenos, como o vírus da gripe aviária, especialmente diante de eventos recentes registrados na América do Sul. Segundo Paulo Antas, o avanço dessas pesquisas permite “compreender melhor as conexões ecológicas e os riscos associados às rotas migratórias”, contribuindo para estratégias mais integradas de conservação. Para 2026, está previsto o aprofundamento desses estudos durante o período reprodutivo, reforçando o compromisso das instituições envolvidas com a produção de conhecimento aplicado à conservação e à saúde ambiental.

A participação da Funatura no debate também dialoga com sua atuação histórica na promoção da conservação em áreas privadas no Brasil. Ainda em 1986, ano de sua fundação, a instituição lançou o Programa Santuários da Vida Silvestre, iniciativa pioneira que contribuiu para a criação de áreas protegidas privadas em diferentes biomas e para a consolidação das RPPNs como instrumento estratégico de conservação.

Desde então, a Funatura tem apoiado a criação de mais de 80 RPPNs e contribuído para o fortalecimento técnico e institucional desse modelo, especialmente no Cerrado, ampliando a proteção da biodiversidade e a conectividade entre áreas naturais.

A discussão realizada na COP15 reforça a relevância das RPPNs como parte das estratégias de conservação em escala de paisagem, especialmente diante dos desafios impostos pela fragmentação dos ecossistemas e pelas mudanças ambientais.

 

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