Funatura e GEF Áreas Privadas destacam conservação e governança territorial no XII SAPIS e VII ELAPIS 

Por Lara Réquia

22 de maio de 2026

Roda de conversa reuniu representantes do MMA, instituições executoras e lideranças comunitárias para compartilhar experiências desenvolvidas no Cerrado e na Mata Atlântica  

A Funatura participou, nesta segunda-feira (19), da roda de conversa “APAs, inclusão social e governança territorial: contribuições do Projeto GEF Áreas Privadas para políticas públicas ambientais”, realizada durante o XII Seminário Brasileiro sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (SAPIS) e o VII Encontro Latino-Americano sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (ELAPIS), na Universidade de Brasília (UnB), em Brasília (DF). 

Na abertura da mesa, a coordenadora técnica do Projeto GEF Áreas Privadas, Mayne Moreira, destacou a importância da integração entre conservação ambiental, políticas públicas e participação social para fortalecer a gestão territorial em áreas protegidas e propriedades privadas.

“A paisagem é uma integração dessas duas esferas, o público e o privado. Não dá para olhar somente com uma ótica. Para paisagens conservadas, precisamos de ação pública e ação privada”, afirmou. 

Representando a Funatura, o superintendente executivo Pedro Bruzzi apresentou os resultados e estratégias desenvolvidas na APA de Pouso Alto, na Chapada dos Veadeiros (GO), área de atuação do projeto no Cerrado. Em sua fala, Pedro destacou a relevância do território para a conservação da biodiversidade brasileira e reforçou o papel do projeto na construção de soluções integradas entre conservação, desenvolvimento territorial e geração de renda. 

“O coração do Cerrado é uma área extremamente simbólica para a conservação no Brasil. O projeto vem fortalecendo cadeias produtivas sustentáveis, o ecoturismo, o monitoramento da biodiversidade e a gestão territorial integrada, sempre com participação ativa das comunidades locais”, ressaltou Pedro Bruzzi. 

Na APA de Pouso Alto, a instituição atua na execução do Projeto GEF Áreas Privadas por meio de iniciativas ligadas ao agroextrativismo sustentável, ecoturismo, monitoramento da biodiversidade e gestão territorial. 

Durante a apresentação, a Funatura destacou avanços como o fortalecimento de cadeias produtivas do baru, pequi, mangaba, cajuzinho-do-cerrado e jatobá; a ampliação do monitoramento da fauna com apoio de inteligência artificial; a implementação da Trilha de Longo Curso Caminho dos Veadeiros; e a articulação para criação do Mosaico Veadeiros–Paranã. 

A mesa também contou com a participação de representantes da Associação Mico-Leão-Dourado, coexecutora do projeto na Mata Atlântica, que compartilharam experiências desenvolvidas na APA da Bacia do Rio São João, no Rio de Janeiro.

Luís Paulo Ferraz, secretário executivo da AMLD, destacou como o GEF Áreas Privadas vem contribuindo para ampliar o engajamento social, fortalecer iniciativas comunitárias e para consolidar ações de restauração ecológica, agroflorestas, ecoturismo e ciência cidadã no território.


Segundo ele, o projeto deixa um legado importante para além do período de execução. “É uma iniciativa que conseguiu criar conexões, fortalecer políticas públicas e gerar oportunidades reais para as comunidades locais. A trilha, o turismo de base comunitária e os projetos de restauração são ações que permanecem como herança para o território”, afirmou.
 

Ao longo do encontro, os participantes reforçaram que a governança territorial compartilhada, a valorização dos saberes locais e a integração entre áreas públicas e privadas são fundamentais para ampliar a efetividade das políticas de conservação e enfrentar os desafios impostos pela crise climática e pela perda de biodiversidade. 

A roda de conversa reuniu representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), instituições executoras, lideranças comunitárias e organizações parceiras para debater os desafios e os legados do Projeto GEF Áreas Privadas nos territórios de atuação no Cerrado e na Mata Atlântica. 

Considerados entre os principais eventos técnico-científicos sobre áreas protegidas, inclusão social e sociobiodiversidade da América Latina, o SAPIS e o ELAPIS promovem debates interdisciplinares sobre conservação ambiental, políticas públicas, diálogo de saberes e governança territorial, reunindo pesquisadores, organizações da sociedade civil, gestores públicos, comunidades e representantes de diferentes territórios do país. 

Nesta edição, os eventos têm como tema central “Territórios, Áreas Conservadas e Sociobiodiversidade: caminhos para a equidade e a paz”.

Projeto GEF Áreas Privadas – Conservando Biodiversidade em Paisagens Rurais é coordenado tecnicamente pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), financiado pelo Global Environment Facility (GEF) e implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Sua gestão financeira é realizada pelo Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS). Na Mata Atlântica, o projeto é coexecutado pela Associação Mico Leão Dourado (AMLD) e no Cerrado pela Fundação Pró Natureza (Funatura). Os principais objetivos são contribuir para a conservação da biodiversidade, fortalecer a provisão de serviços ecossistêmicos e ampliar o manejo sustentável da paisagem, em áreas privadas no Brasil. 

Mais informações em: Projeto GEF Áreas Privadas

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