Funatura leva experiência em criação de unidades de conservação e conectividade ecológica para a UCBio 2026

Por Lara Réquia

10 de junho de 2026

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Participação da instituição destacou iniciativas voltadas à proteção da biodiversidade, criação de áreas protegidas e fortalecimento da conectividade entre paisagens naturais do Cerrado e da Caatinga.

A Funatura participou da Conferência Brasileira de Unidades de Conservação (UCBio 2026), realizada entre os dias 7 e 9 de junho, em Curitiba (PR), reunindo pesquisadores, gestores públicos, organizações da sociedade civil, proprietários de reservas privadas e especialistas de todo o país para discutir os desafios e oportunidades da conservação da natureza no Brasil.

Representando a Funatura, o presidente José Luiz Franco e o superintendente executivo Pedro Bruzzi participaram da programação compartilhando experiências construídas ao longo da trajetória da instituição, que completa 40 anos de atuação em 2026.

RPPNs e o futuro da conservação em pauta

A programação da Funatura na UCBio começou ainda no dia 7 de junho, com a realização da mesa “RPPNs Brasileiras e a Próxima Década da Conservação”, dedicada à discussão de caminhos para fortalecer o papel das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) frente aos desafios da próxima década. Temas como conectividade ecológica, sustentabilidade financeira, turismo de natureza, pesquisa científica e mecanismos inovadores de financiamento estiveram entre os assuntos debatidos.

A atividade foi uma parceria com a Associação Caatinga e teve apoio da Rede Pro-UC

Na primeira mesa, mediada pelo superintendente executivo da Funatura, Pedro Bruzzi, especialistas debateram a contribuição das RPPNs para a conectividade de paisagens, a formação de corredores ecológicos e a manutenção de áreas naturais em territórios cada vez mais fragmentados. O encontro também trouxe experiências de instituições que atuam na gestão de áreas protegidas privadas, como a Fundação Grupo Boticário, evidenciando a importância da atuação territorial para além dos limites das reservas.

Durante a mediação, Pedro destacou que a conservação da natureza exige soluções cada vez mais integradas, capazes de conciliar proteção ambiental, desenvolvimento local e geração de oportunidades para as comunidades inseridas nos territórios.

“Existe uma exigência crescente da sociedade para que a conservação demonstre seus benefícios econômicos e sociais. Essa é uma discussão moderna e necessária, mas sem perder de vista que a natureza possui um valor intrínseco e que sua conservação é, antes de tudo, uma questão ética”, ressaltou.

Na sequência, a mesa “RPPNs: quando conservação e sustentabilidade caminham juntas” aprofundou o debate sobre os desafios da gestão de reservas privadas. Como palestrante, Pedro compartilhou experiências da Funatura ao lado de representantes da Associação Caatinga, SPVS, Instituto Homem Pantaneiro e especialistas em financiamento da conservação.

Ao apresentar a experiência da instituição, o superintendente destacou os desafios enfrentados pelas RPPNs, especialmente no Cerrado, bioma onde grande parte dos remanescentes naturais está localizada em propriedades privadas. Segundo ele, ampliar a conservação dependerá cada vez mais da construção de mecanismos econômicos capazes de tornar a proteção da natureza uma alternativa viável para proprietários rurais.

“Precisamos encontrar soluções econômicas para que os proprietários enxerguem na conservação um bom negócio. A conservação em terras privadas será decisiva para o futuro da biodiversidade brasileira, especialmente em biomas como o Cerrado, onde a maior parte das áreas naturais remanescentes está fora das unidades de conservação públicas”, afirmou.

Pedro também apresentou iniciativas que vêm sendo estudadas pela Funatura para apoiar proprietários de RPPNs, incluindo mecanismos relacionados a créditos de carbono, créditos de biodiversidade e modelos de certificação coletiva voltados à geração de renda associada à conservação.

Conservação em escala de paisagem no Cerrado e na Caatinga

Além dos debates sobre RPPNs, a programação oficial da UCBio também abriu espaço para a apresentação de iniciativas voltadas à criação e ampliação de unidades de conservação. Nesse contexto, Pedro Bruzzi apresentou os avanços do projeto Brasil: Designações do Cerrado e da Caatinga, desenvolvido pela Funatura com apoio da Rainforest Trust.

A iniciativa busca contribuir para a conservação da biodiversidade e a conectividade ecológica em áreas prioritárias de Minas Gerais e do Piauí, com foco especial nos ecótonos entre Cerrado e Caatinga. Essas zonas de transição ecológica concentram elevada biodiversidade, importantes recursos hídricos e grande capacidade de adaptação às mudanças climáticas.

Durante a apresentação, Pedro destacou que os estudos conduzidos pela Funatura têm demonstrado a relevância desses territórios para a manutenção da biodiversidade, da segurança hídrica e da conectividade entre paisagens naturais, especialmente em regiões submetidas ao avanço da fronteira agrícola e a outros vetores de pressão ambiental.

No sudoeste do Piauí, os levantamentos identificaram extensos remanescentes do ecótono Cerrado-Caatinga, áreas de recarga hídrica e ocorrência de espécies raras, endêmicas e ameaçadas de extinção, além de patrimônios culturais e arqueológicos de grande relevância.

Os estudos mais recentes confirmaram e aprofundaram diagnósticos realizados anteriormente pela própria Funatura, reforçando a urgência da proteção desses territórios.

“Todos os estudos realizados pela Funatura em 2006 foram confirmados pelos levantamentos mais recentes. E o cenário atual demonstra que a criação de áreas protegidas é ainda mais necessária, porque as ameaças aumentaram e a pressão sobre a biodiversidade se intensificou”, destacou Pedro Bruzzi.

Além do Piauí, a Funatura apresentou os avanços de  estudos na região do Parque Estadual Veredas do Peruaçu, em Minas Gerais, uma das áreas mais importantes para a conservação do Cerrado mineiro, caracterizada por grandes remanescentes de vegetação nativa, elevada integridade ecológica e ocorrência de espécies ameaçadas, como o tamanduá-bandeira, a onça-parda e o queixada.

Segundo Pedro, os trabalhos desenvolvidos pela instituição buscam oferecer bases técnicas e científicas para subsidiar processos de criação e ampliação de unidades de conservação, contribuindo para a proteção dos recursos hídricos, da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos essenciais para a sociedade.

Pensar a conservação para além dos limites das áreas protegidas

Também integrando a programação da UCBio, o presidente da Funatura, José Luiz Franco, participou do debate sobre conservação, conectividade ecológica e o papel das áreas protegidas na proteção da biodiversidade.

Em sua apresentação, José Luiz destacou a evolução histórica da biologia da conservação e reforçou a importância de pensar a proteção da natureza para além de áreas isoladas, considerando a conectividade entre paisagens, corredores ecológicos e grandes territórios capazes de sustentar populações viáveis de espécies silvestres.

O pesquisador ressaltou que a conservação contemporânea tem sido orientada por estratégias que integram áreas núcleo de proteção, corredores ecológicos e a manutenção de espécies-chave para o funcionamento dos ecossistemas.

“Hoje sabemos que não é possível pensar a conservação apenas em áreas isoladas. A conectividade entre ecossistemas e a coexistência entre pessoas e biodiversidade são elementos fundamentais para garantir a conservação da natureza em longo prazo”, destacou José Luiz Franco.

O presidente da Funatura também chamou atenção para a necessidade de ampliar os esforços de proteção em escala territorial, fortalecendo redes de áreas protegidas capazes de responder aos desafios atuais da perda de biodiversidade e das mudanças climáticas.

Quatro décadas contribuindo para a conservação da natureza

A participação da Funatura na UCBio 2026 reforça o compromisso institucional da organização com a produção de conhecimento, a construção de soluções inovadoras e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à proteção da biodiversidade.

Ao longo de seus 40 anos de atuação, a Fundação tem contribuído para a criação, implementação e fortalecimento de unidades de conservação em diferentes regiões do país, promovendo iniciativas que integram conservação da natureza, desenvolvimento sustentável, valorização das comunidades locais e gestão territorial.

A presença da equipe da instituição no evento também proporcionou importantes oportunidades de intercâmbio com organizações parceiras, pesquisadores e gestores públicos, fortalecendo redes de colaboração voltadas à construção de estratégias cada vez mais eficazes para a proteção do patrimônio natural brasileiro.

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