Participação da instituição evidencia a centralidade dos territórios, da justiça climática e de novos mecanismos de financiamento ambiental nas discussões da conferência
A Funatura teve atuação estratégica na COP30, em Belém (PA), participando de debates estratégicos que tratam do futuro das políticas climáticas, da valorização dos serviços ecossistêmicos e da garantia de direitos para povos e comunidades tradicionais. Ao longo da semana, a instituição integrou mesas e painéis que reforçam a importância de modelos de governança participativos e de soluções climáticas baseadas nos territórios, contribuindo para avanços concretos na agenda socioambiental brasileira.
Títulos Amazônicos: participação social no centro do debate
Na programação da conferência, a Funatura participou da roda de conversa “O que Esperar dos Títulos Amazônicos? Justiça Climática e Territorial sob a Perspectiva de Povos Tradicionais e Afrodescendentes”, organizada em parceria com Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco Mundial. O diálogo foi conduzido por Francisco Sousa, assessor institucional da Funatura, promovendo articulação entre lideranças comunitárias, instituições multilaterais e organizações da sociedade civil.
A discussão aprofundou as Diretrizes dos Títulos Amazônicos e ressaltou a importância de processos participativos que considerem, de forma efetiva, as realidades de povos tradicionais e comunidades negras rurais como base para a construção de mecanismos de financiamento climático.
Financiamento climático: conservação e instrumentos econômicos
A Funatura também participou do painel “Oportunidades e Mecanismos de Financiamento para a Conservação da Mata Atlântica e Mitigação das Mudanças do Clima”, realizado na Casa da Mata Atlântica e conduzido por Pedro Bruzzi, superintendente executivo da instituição.
O debate abordou instrumentos como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), ICMS Ecológico, créditos de carbono e biodiversidade, Cotas de Reserva Ambiental (CRA) e soluções tecnológicas para financiamento climático. Representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), BVRio, Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro (SEAS-RJ) participaram do encontro reforçando que estratégias de mitigação efetivas dependem de modelos financeiros que valorizem os serviços ecossistêmicos e os atores que cuidam dos territórios.
Território é solução climática: NDCs e justiça fundiária
As agendas da Funatura avançaram também no campo da justiça territorial. No Pavilhão do Círculo dos Povos, ocorreu o painel “Território é Solução Climática: As Contribuições Climáticas (NDCs) dos Povos e o Compromisso do Estado Brasileiro com a Justiça Fundiária”, facilitado por Pedro Bruzzi.
O debate reuniu representantes da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), da Federação das Organizações e Comunidades Tradicionais da Amazônia (FONSANPOTMA), além de integrantes do CNPCT e do MIQCB. As lideranças defenderam que o reconhecimento territorial, a segurança fundiária e a participação social são pilares indispensáveis para a construção de NDCs mais ambiciosas, justas e alinhadas ao enfrentamento da crise climática. Para essas vozes, fortalecer quem vive e protege os territórios é essencial para garantir que as políticas climáticas reflitam as realidades e necessidades da Amazônia e de outros biomas.
Marcha Global pelo Clima: Cerrado em defesa da justiça territorial
No dia 15 de novembro, a Funatura integrou o Bloco do Cerrado na Marcha Global por Justiça Climática. A mobilização reuniu organizações de diversos biomas e representantes de povos e comunidades tradicionais, reforçando a importância do Cerrado para a segurança hídrica e o equilíbrio climático do país. A presença das delegações do Cerrado destacou que não há justiça climática sem justiça territorial. Como afirmou Pedro Bruzzi, superintendente executivo da Funatura, “a defesa do Cerrado passa pelo reconhecimento dos direitos territoriais e pelo protagonismo dos povos que cuidam desse bioma há séculos.”
Bioeconomia como solução climática
No dia 15 de novembro, a Funatura participou do painel “Bioeconomia como solução climática”, promovido pelo BID em parceria com a CONAQ, realizado no Auditório do Museu Paraense Emílio Goeldi.
A instituição apresentou sua visão sobre o papel da bioeconomia na conservação dos territórios e como uma das soluções possíveis para a crise climática. Destacou que a bioeconomia é território vivo, com potencial para gerar renda local, fortalecer a autonomia das comunidades, impulsionar a regularização fundiária e ampliar a proteção ambiental. Reforçou ainda que fortalecer povos e comunidades tradicionais por meio dos produtos da sociobiodiversidade contribui diretamente para conservar áreas protegidas, reduzir pressões sobre os biomas e criar oportunidades econômicas sustentáveis.
Sem Cerrado, sem clima: saberes tradicionais e soluções climáticas territoriais
No dia 17 de novembro, a Funatura participou do painel “Sem Cerrado, sem clima: saberes tradicionais e soluções climáticas territoriais”, realizado no Pavilhão Círculo dos Povos, na Zona Verde. O encontro reuniu guardiãs e guardiões do Cerrado e da Amazônia para discutir o papel dos conhecimentos tradicionais na construção de respostas resilientes à crise climática.
O debate reafirmou que a preservação dos biomas depende diretamente das populações que vivem e cuidam dos territórios e que não existe justiça climática sem reconhecer, apoiar e financiar quem sustenta as bases da sociobiodiversidade brasileira. Também destacou que os saberes tradicionais, aliados a políticas públicas e mecanismos adequados de financiamento, são fundamentais para construir soluções climáticas duradouras e transformadoras.
Compromisso da Funatura
Com essas agendas, a Funatura reafirma seu papel histórico de quase quatro décadas na defesa dos territórios, na construção de soluções climáticas baseadas em governança e participação social e no fortalecimento comunitário. A atuação da instituição na COP30 reforça sua dedicação a modelos de financiamento e políticas públicas capazes de gerar impactos reais e duradouros.
Crédito: Isabella Lucena
Crédito: Lara Réquia
Crédito: Isabella Lucena
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