Com uma meta considerada audaciosa pelos próprios técnicos, o projeto Reservas Privadas do Cerrado (RPC) se encerra neste final de ano com resultados animadores para a conservação de um dos biomas mais ameaçados do Brasil.
Promover o incentivo à criação, expansão e gestão eficaz das Reservas Privadas do Patrimônio Natural (RPPNs) é o objetivo do projeto, que deu entrada no processo de criação de RPPNs em 50 áreas, sendo que 18 delas já foram oficializadas no Diário Oficial da União e órgãos ambientais estaduais.
As RPPNs são reservas criadas por livre e espontânea vontade dos proprietários rurais que optam por perpetuar, na matrícula do imóvel, a categoria de unidade de conservação de uso sustentável para sempre.
“São um legado para as gerações futuras, uma garantia de conservação – de áreas ricas em biodiversidade – que está nas mãos dos proprietários rurais e não depende do poder público”, explica o coordenador do projeto, Laércio Machado.
Até 30 de novembro de 2021, a área total de RPPNs criadas pelo projeto RPC foi de 2,36 mil hectares em 18 reservas com portarias publicadas. As demais estão em processo adiantado de criação junto aos órgãos federais e estaduais.
LIVES
Para comemorar e apresentar os resultados do projeto RPC, a Funatura promoveu dois encontros virtuais (lives) pelo canal do YouTube, nos dias 29 e 30 de novembro, reunindo coordenadores de projeto, consultores, parceiros e proprietários de algumas RPPNs.
O proprietário da RPPN Bacupari, em Cavalcante (GO), Fabio Padula, disse que a consultoria da Funatura tornou tudo mais fácil. “O que eu tinha como uma dificuldade, tornou-se uma facilidade. Vejo isso tudo como a criação de uma grande rede: de amigos, de ideais, de amor. A chancela de RPPN mudou tudo – conferiu outra importância e proporcionou novas oportunidades”, comentou Padula.
A consultora da Funatura Verônica Theulen destacou a pré-disposição dos moradores da Chapada dos Veadeiros para a criação das reservas. “Hoje, a Chapada tem 36 RPPNs que protegem 25 mil hectares, o correspondente a 10,6% do correspondente à área do Parque Nacional. Esse é um dado muito expressivo e um diferencial em relação a outros territórios”, afirmou ela.
Veja a íntegra das lives gravadas aqui.
GRANDE NOTÍCIA
Durante a live, os filhos da fundadora da Funatura, Maria Tereza Jorge Pádua, Alexandre e Cláudio, anunciaram a criação de uma RPPN em homenagem à mãe, considerada a “dama da conservação” do Brasil. Adquirida por Claudio Cury Pádua, a área de 500 hectares em Augusto de Lima (MG), na Serra do Cabral, será destinada à conservação do Cerrado. “A ideia é ter um refúgio. Temos aqui muito endemismo e riqueza de fauna e flora. Um parte será destinada à prestação de serviços ambientais”, afirmou Cláudio.
Também foram apresentados os quatro mini-documentários produzidos nas propriedades, com entrevistas e depoimentos sobre a importância da criação de RPPNs no bioma Cerrado e potenciais econômicos de uso dos recursos naturais para o ecoturismo.
Confira os vídeos!
QUEM
O projeto RPC é executado pela Fundação Pró-Natureza (Funatura) e conta com recursos do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, na sigla em inglês para Critical Ecosystem Partnership Fund) e apoio do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).
O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, União Europeia, da Fundo Global para o Meio Ambiente, do Governo do Japão, e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.
O IEB é uma associação brasileira sem fins econômicos e se destaca no cenário nacional por dedicar-se a formar e capacitar pessoas e fortalecer organizações nos diversos aspectos e temas relacionados ao meio ambiente, desenvolvimento e à sustentabilidade.
LISTA
Confira baixo a lista das 18 RPPNs já oficializadas:
RPPN Arival Antônio Zardo, Chapadão do Sul (MS), com 211,7 hectares
RPPN Morro do Segredo, Lajeado (TO), com 32,4 hectares
RPPN Jaguatirica, Montezuma (MG), com 28,93 hectares
RPPN Serra da Piedade, Caeté (MG), com 71,8023 hectares
RPPN Monsenhor Domingos Evangelista, Caeté (MG), 58,9 hectares
RPPN Fazenda Chapadões, Alto Parnaíba (MA), com 1.747,5 hectares
RPPN IBC (Instituto Biorregional do Cerrado), Alto Paraíso de Goiás (GO), com 2,5 hectares
RPPN Murundu, Alto Paraíso de Goiás (GO), com 40,9 hectares
RPPN Campos Úmidos Vochysias, Alto Paraíso de Goiás (GO), com 20 hectares
RPPN Bacupari, Cavalcante (GO), com 36,8 hectares
RPPN Rio Almas, Cavalcante (GO), com 62,1 hectares
RPPN Pau Terra II, Pirenópolis (GO), com 5,6 hectares
RPPN Terra de Maria, Pirenópólis (GO), com 10,9 hectares
RPPN Simplicidade, Pirenópolis (GO), com 4 hectares
RPPN Mimosa, Pirenópolis (GO), com 2,02 hectares
RPPN Lavrinhas, Pirenópolis (GO), com 1,24 hectares
RPPN Canto do Oxum, Alto Paraíso de Goiás (GO), com 9,9 hectares
RPPN Renascer, Alto Paraíso de Goiás (GO), com 9,6905 hectares – averbada, aguardando portaria