Projeto Onde a Onça Bebe Água fortalece restauração hídrica do Cerrado com a produção de 20 mil mudas nativas

Por Thales Lima

10 de fevereiro de 2026

Iniciativa capacitou comunidades de Mambaí e Cavalcante (GO) para recuperar nascentes, restaurar áreas degradadas e gerar renda local

Em um esforço conjunto para proteger os cursos d’água do Cerrado, o projeto “Onde a Onça Bebe Água: Comunidades e Bem-Viver” executado pela Funatura em parceria com a Petrobras, avançou mais um passo em sua missão de fortalecer a restauração ecológica e a segurança hídrica no território. Ao longo do último mês, os municípios goianos de Mambaí e Cavalcante receberam oficinas práticas para implementação de viveiros comunitários para a produção de mudas nativas, com foco  na restauração de Áreas de Preservação Permanente (APPs) associadas a recursos hídricos.

A ação reuniu 61 participantes nos dois municípios e vai além do plantio: trata-se de um investimento direto na autonomia comunitária, na geração de renda e na conservação das nascentes. Com a estrutura montada, o projeto prevê a produção de 20 mil mudas nativas, que se somam a outras 10 mil mudas cedidas pelo Instituto Federal de Brasília (IFB). Ao todo, cerca de 30 mil plantas serão destinadas à restauração de 10 hectares de áreas degradadas.

O projeto prevê a produção de 20 mil mudas nativas (Foto: Thales Lima/Funatura)

Para muitos participantes, a capacitação representa uma nova fronteira econômica. É o caso de Claudiney Martins, que já atua com viveiros, mas vê nas espécies nativas do Cerrado um caminho de expansão.

“O meu viveiro já contribui com a minha renda. Agora, com esse novo viveiro, espero aumentar trazendo mais gente para contribuir. No máximo que nós já fizemos foi 20 mil mudas; agora, queremos produzir acima de 50 mil”, projeta Claudiney, destacando o desejo de diversificar as espécies manejadas.

Claudiney Martins já atua com viveiros e está feliz com a implantação de mais um para a produção de mudas nativas (Foto: Thales Lima/Funatura)

A formação foi conduzida pela engenheira florestal Lauana Nogueira, responsável pelas oficinas, que ressalta que o manejo de plantas nativas exige sensibilidade, prática e troca de saberes.

“Não existe uma receita pronta. Unimos a base técnica com a observação de campo e a experiência prática dos participantes. Foi uma troca enriquecedora onde a teoria ganha vida”, afirma.

O treinamento capacitou a comunidade em práticas de viveiro (Foto: Thales Lima/Funatura)

As oficinas abordaram todas as etapas do processo produtivo, desde a preparação do substrato e escolha de sementes até o manejo silvicultural das mudas. O projeto também prevê a adoção de uma técnica inovadora: a inoculação de micorrizas (fungos que auxiliam na absorção de nutrientes pelas raízes), com aplicação prevista para o final de fevereiro de 2026. 

Entre março e setembro, as mudas passarão por monitoramento contínuo, preparando o terreno para a restauração ecológica a partir de outubro de 2026, com o início do período chuvoso. 

Ao garantir que a “onça tenha onde beber água”, o projeto contribui diretamente para a recuperação de áreas estratégicas do Cerrado, fortalecendo a proteção dos recursos hídricos, a conservação da biodiversidade e o bem-viver das comunidades de Mambaí e Cavalcante. 

Compartilhe nas suas redes!

Notícias relacionadas

Ler mais notícias

Assine nossa newsletter

Receba as notícias da Funatura diretamente na sua caixa de e-mail.