Mulheres Trilheiras: Pioneirismo feminino no Caminho dos Veadeiros é jornada de superação e conexão com o Cerrado

Por Funatura

25 de setembro de 2025

Mulheres trilheiras (esquerda à direita): Isabela Pinheiro, Marcia Bispo e Silmara Villas Boas - Foto: Isabela Pinheiro (Arquivo pessoal)
Mulheres trilheiras (esquerda à direita): Isabela Pinheiro, Marcia Bispo e Silmara Villas Boas – Foto: Isabela Pinheiro (Arquivo pessoal)

A expedição feminina, que também foi idealizada por Isabela, nasceu da vontade de explorar o corredor ecológico e a natureza selvagem do bioma no Caminho dos Veadeiros e fortalecer o turismo de base comunitária. A escolha pela “coleção de trechos” – que permite percorrer longas trilhas em segmentos menores ao longo do tempo – torna a experiência mais acessível e flexível, desmistificando a ideia de que trilhas de longo curso são apenas para “homens brutos que andam 20 dias sozinhos”, como frisa Isabela.

A expedição feminina por “coleção de trechos” começou em oito de março de 2025, Dia Internacional da Mulher, para reforçar o simbolismo e o empoderamento da data. A jornada teve início em Formosa (GO) e já passou por Água Fria de Goiás (GO). Ainda em 2025, o grupo vai percorrer mais de 100 quilômetros de trilha, passando por trechos, inclusive, do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

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Isabela conta que a cada quilômetro conquistado, cresce a certeza de que elas desbravam o território. As trilheiras buscam não apenas realizar um percurso físico, mas uma conexão profunda com a biodiversidade do Cerrado e a cultura local já que interagem com quem vive na terra e com povos e comunidades tradicionais e quilombolas, que são os verdadeiros guardiões do bioma.

A beleza da trilha impõe desafios, como a necessidade de carregar equipamento por vezes pesado e água por trechos longos. “O que mais me impacta é perceber a surpresa ao cruzar com outras mulheres caminhando sozinhas. O empoderamento é maior a cada chegada e ao perceber que se caminhou alguns quilômetros a mais que na última saída”, aponta Isabela.

A verdade dessas mulheres trilheiras, vivida em cada passo, reforça a resiliência e o comprometimento do trio com o objetivo de completar a trilha e inspirar outras pessoas a vivenciarem o Caminho dos Veadeiros de forma consciente e preparada.

A expedição é um projeto voluntário, realizado de forma independente e sem apoio de custo ou logística. Os desafios enfrentados vão desde a conciliação com trabalho e família até a busca por recursos, mas a superação é diária. Momentos como o encontro com ossadas de gado e pegadas de onça-pintada reforçam a profunda conexão com a natureza. “Somos a própria natureza selvagem. Ela está presente em nós e nos pertence”, diz.

Pegada com veado-campeiro, símbolo do Caminho dos Veadeiros: sinalização é fundamental para trilheiras e trilheiros – Foto: Julio Itacaramby

O pioneirismo da expedição delas está primeiro em serem mulheres, porque nenhuma mulher completou o Caminho dos Veadeiros ainda. E também é um pioneirismo na forma de completar o Caminho dos Veadeiros, que é por coleção de trechos. Isso ninguém fez até então”, explica Julio Itacaramby, coordenador de Ecoturismo e Gestão Territorial na Fundação Pró-Natureza (Funatura) para o GEF Áreas Privadas. A Funatura, que é coexecutora do projeto na região da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto, apoia a consolidação e o fortalecimento da Associação Caminho dos Veadeiros (ACV), que reúne os principais atores da sociedade civil e um corpo de voluntariado envolvidos na implementação do Caminho dos Veadeiros.

Julio ressalta que essa modalidade de expedição torna as trilhas de longo curso mais “factíveis para qualquer pessoa” e alinha-se às metas de inclusão de gênero do GEF Áreas Privadas, além de materializar os múltiplos benefícios das trilhas para o território: geração de emprego e renda, visibilidade para a conservação e oportunidade de recreação e bem-estar.

Essa expedição é um exemplo claro de como o ecoturismo pode ser um vetor de conservação e inclusão. É isso que buscamos no GEF Áreas Privadas e na Funatura: valorizar as iniciativas que, além da aventura, promovem a conscientização ambiental, geram oportunidades e reforçam o papel da mulher na gestão e no uso sustentável de nossos recursos naturais. Queremos que mais histórias como essa inspirem a proteção do Cerrado e o desenvolvimento regional”, complementa Julio.

Chapada dos Veadeiros: Destino de ecoturismo e reconhecida por abrigar cachoeiras belíssimas – Foto: Julio Itacaramby

Caminho dos Veadeiros conecta pessoas à natureza

O Caminho dos Veadeiros, com mais de 500 quilômetros, integra a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso (RedeTrilhas). Está localizado majoritariamente no estado de Goiás, passando por sete municípios – Formosa, Planaltina, São João D’Aliança, Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante, Teresina de Goiás e Colinas do Sul – e por Brasília (DF). O caminho atravessa importantes Unidades de Conservação, como o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Pouso Alto.

Mais do que um percurso para caminhadas e cicloturismo, o Caminho dos Veadeiros é um instrumento fundamental para a conservação do Cerrado, o desenvolvimento do ecoturismo e a geração de emprego e renda para as comunidades locais. Ao conectar belezas naturais, cachoeiras, vales e paisagens deslumbrantes, a trilha proporciona uma imersão na rica biodiversidade do bioma e na cultura das populações que vivem em seu entorno. É uma experiência que convida à aventura, à reflexão e à valorização do berço das águas do Brasil.

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