Apresentação da proposta de reconhecimento do mosaico na Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge - Luana Santa Brígida/Funatura
A Fundação Pró-Natureza (Funatura) apresentou hoje (16) no XXV Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros a proposta de reconhecimento do Mosaico Veadeiros-Paranã de Áreas Protegidas. A medida estratégica busca consolidar a gestão integrada de um conjunto de 70 áreas protegidas, que abrangem mais de 1,6 milhão de hectares no nordeste goiano. O Encontro acontece na vila de São Jorge, em Alto Paraíso de Goiás (GO), até o dia 20 de setembro.
O mosaico engloba Unidades de Conservação federais, estaduais e municipais, além de Territórios Quilombolas, Terra Indígena e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs). Entre os destaques, estão o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, a Terra Indígena Avá-Canoeiro, o Território Quilombola Kalunga e dezenas de RPPNs que, juntas, representam um patrimônio socioambiental singular do Cerrado.
“O reconhecimento do Mosaico representa um avanço decisivo para a gestão integrada da paisagem, fortalecendo a conservação, valorizando as comunidades locais e articulando políticas públicas em um território de enorme diversidade cultural e ambiental. É também um passo fundamental para consolidar a Chapada dos Veadeiros como referência global em conservação da natureza”, afirma a coordenadora de gestão territorial da Funatura no projeto GEF Áreas Privadas – Conservando a Biodiversidade e Paisagens Rurais, Verônica Theulen.
A proposta está vinculada ao projeto GEF Áreas Privadas, financiado pelo Global Environment Facility (GEF), implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e coordenado pela Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais (SBIO) do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). No Cerrado, a coexecução é da Funatura, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto, que abrange seis municípios na região da Chapada dos Veadeiros.
“Estamos em uma área de grande importância ecológica para a conservação da biodiversidade. Tanto os mosaicos como as trilhas de longo curso são instrumentos de gestão territorial e integração de diferentes áreas e atores que compõem o território. O mosaico possibilita que o gestor da área enxergue o entorno e não só a sua área. Dessa forma, comunidades e gestores públicos pensam o território e fazem a gestão de forma conjunta. Já a trilha pode ser uma dessas linhas que costuram o território e promovem a conectividade da paisagem”, aponta o analista ambiental do Departamento de Áreas Protegidas (DAP) do MMA, Samuel Schwaida.
Coordenadora de gestão territorial, Verônica Theulen – Luana Santa Brígida/Funatura
Além de integrar áreas já reconhecidas, o mosaico permitirá a ampliação de políticas públicas como o Manejo Integrado do Fogo (MIF) e a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas), beneficiando propriedades privadas, comunidades tradicionais e áreas de uso sustentável.
“Do ponto de vista técnico, o mosaico potencializa a efetividade da gestão territorial. Ele amplia a proteção da sociobiodiversidade, facilita o monitoramento da fauna e da flora e fortalece atividades econômicas sustentáveis, como o extrativismo e o ecoturismo. Isso cria benefícios ambientais, sociais e econômicos que ultrapassam os limites das áreas protegidas e irradiam para toda a região”, complementa Verônica.