Foto: Camila Araujo/Rede Cerrado
O Bloco do Cerrado caminhou pelas ruas da capital paraense com cantorias, faixas e símbolos que expressam a resistência dos territórios. Reconhecido como o Coração das Águas do Brasil, o Cerrado é responsável por alimentar grandes bacias hidrográficas e garantir água para cidades, comunidades rurais e sistemas produtivos em todo o país. Apesar de sua importância, o bioma já perdeu mais da metade de sua cobertura vegetal, o que compromete o ciclo das chuvas, reduz a vazão dos rios e intensifica desigualdades socioambientais.
No dia 15 de novembro, data que marca a Proclamação da República no Brasil, a Funatura esteve presente na Marcha Global por Justiça Climática, realizada durante a #COP30, em Belém (PA). A mobilização integrou a programação da Cúpula dos Povos e reuniu organizações de diversos biomas brasileiros, movimentos internacionais e centenas de representantes de povos e comunidades tradicionais.
Povos na linha de frente da ação climática
A presença de delegações do Cerrado na marcha reforçou uma mensagem central para esta COP: não é possível falar em futuro climático sem justiça territorial. Povos indígenas, quilombolas, geraizeiros, quebradeiras de coco babaçu, vazanteiros, ribeirinhos e tantas outras identidades tradicionais são responsáveis pela manutenção das paisagens, da biodiversidade e dos modos de vida que equilibram o clima e protegem as águas.
“A defesa do Cerrado passa, necessariamente, pelo reconhecimento dos direitos territoriais e pelo protagonismo dos povos que cuidam desse bioma há séculos. Não existe solução climática real que ignore quem está na linha de frente, protegendo as águas, as paisagens e os modos de vida que mantêm esse país de pé.” Pedro Bruzzi, superintendente executivo da Funatura.
A caminhada simbolizou a união entre biomas e continentes. Ao lado de organizações locais e internacionais, as vozes do Cerrado ecoaram em defesa de um modelo de desenvolvimento que reconheça a centralidade dos povos na conservação e no enfrentamento às crises climáticas.
Compromisso da Funatura com os territórios
Ao participar da marcha, a Funatura reafirmou seu compromisso com a defesa dos direitos territoriais, com a valorização dos saberes tradicionais e com a construção de soluções climáticas baseadas na natureza e nas comunidades.
A organização atua há quase quatro décadas em iniciativas que fortalecem a conservação em terras privadas, a sociobiodiversidade, a governança participativa e o protagonismo das populações tradicionais do Cerrado. Estar na Marcha Global pelo Clima, ao lado de tantas lideranças, reforça o papel do Cerrado como um bioma-chave para a agenda climática nacional e internacional.
Um chamado para o futuro
A mobilização em Belém expressou algo fundamental: a defesa do Cerrado é uma luta pelo Brasil e pelo planeta. Em tempos de emergência climática, marchar pelo Cerrado é marchar pela água, pela vida e por justiça.
A Funatura segue presente nos debates da COP30, ao lado dos territórios, somando esforços para que o Cerrado seja reconhecido, protegido e valorizado como merece.
Foto: Camila Araujo/Rede Cerrado
Foto: Juliana Simões/ISPN
Foto: Lara Réquia/Funatura
Foto: Lara Réquia/Funatura
Foto: Pedro Bruzzi/Funatura