Foi em roda, de mãos dadas, que o primeiro giro com as oficinas de Cartografia Social nas comunidades da Rede Sociobio. Em junho encontramos cooperadas e cooperados da Copabase, que tem sede em Arinos (MG) e da CoopSertão Veredas, de Chapada Gaúcha (MG). Em julho será a vez da Cooperuaçu.
As cartografias sociais são uma metodologia participativa que tem como objetivo o registro do que é sagrado e importante para as comunidades, entendendo que cada território tem as suas especificidades. Instrumentos de tomada de consciência sobre direitos e de reivindicações comunitárias, as cartografias também podem apoiar o pensamento de ordenamento territorial e a identificação de ameaças e fortalezas.
Para tornar esse pensamento palpável, nas oficinas foram utilizados mapas vetoriais e de imagens de satélites impressos para que as pessoas pudessem ver seu território a partir de uma perspectiva ampliada. Uma conversa sobre desafios, potencialidades e sobre o que já é coletado de frutos do Cerrado foi inspiração para a atividade lúdica: as cooperadas e cooperados tiveram a oportunidade de desenhar seus quintais e também os mapas de suas comunidades, com seus rios, veredas, casas e espaços coletivos como as associações.
A equipe, formada pela pedagoga e coordenadora de projetos do Rosa e Sertão, Damiana Campos, pelo professor e pesquisador na área de geografia Wesley Martins, e pelo estudante de engenharia agrícola e ambiental, Tharles Reis, contou com a parceria e mobilização das próprias cooperativas.
O início da oficina no Assentamento Borá, com a guiança de Damiana Campos (Foto: Kika Antunes)
Além do que se vê, as cartografias trazem as faltas e os desejos. Dona Alice, da comunidade Borá, resume o caminho de coleta e comercialização dos frutos, a criação da cooperativa e o trabalho comunitário para garantir terra e acesso aos direitos sociais: “com o tropeço a gente vai pra frente”. Também a saudade dos filhos que saem de casa em busca de oportunidades de estudo e trabalho apareceu como aquilo que os mapas não dão conta de mostrar.
Zé Fino, de Barra do Pequi, nos lembra da importância do associativismo e do cooperativismo: “nas reuniões a gente aprende palavras novas, conhece as pessoas, tudo agrega. Pra mim, comer bem é comer sem química. A gente enfrenta o mercado comendo o que produzimos.”
No Assentamento Borá, na zona rural de Arinos, a atividade foi focada na participação das mulheres, que relataram, ao fim da oficina, um grande contentamento por terem tido um espaço de escuta acolhedor. Foi um momento de muita alegria e emoção: elas disseram sobre a importância de ser cooperada da Copabase e relataram como a cooperativa mudou a relação com a renda familiar e com o próprio Cerrado, já que muitas delas são extrativistas.
Cooperados da comunidade de Cabeçudo, em Chapada Gaúcha (MG), apresentam o mapa do seu território (Foto: Kika Antunes)
Em Barra do Pequi, comunidade rural de Chapada Gaúcha onde a segunda oficina foi realizada, a participação foi mista: homens, mulheres e jovens se reuniram na sede da Associação Comunitária de Veredeiros Mãe Ana (Acoma). Ao fim da atividade estavam todos e todas mais inspirados a seguir construindo rotas de abundância no território a partir da identificação do lugar que cada um ocupa.
No Peruaçu, onde atua a Cooperuaçu, o Rosa e Sertão realizará a oficina no início de julho. Mais informações serão divulgadas aos cooperados(as) pela própria cooperativa, a fim de preservar a segurança da atividade.
Fotos: Kika Antunes @antuneskika
O Projeto Rede Sociobio Cerrado – Pantanal tem o apoio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (SNPCT) do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A execução é da Fundação Pró-Natureza (Funatura).