Zonas de transição entre dois biomas, como o Cerrado e a Caatinga, são locais que concentram uma grande biodiversidade de plantas e animais. Com características únicas que resultam da interação entre diferentes vegetações, essas áreas são muito suscetíveis às mudanças climáticas.
Para entender melhor o potencial ecológico de zonas de transição do Cerrado com a Caatinga, a Funatura deu início a um novo projeto, desta vez com apoio da organização internacional Rainforest Trust. Sediado nos Estados Unidos, o Rainforest Trust direciona verbas para proteger reservas naturais e a vida selvagem em todo o planeta.
O objetivo será pesquisar informações sobre biodiversidade, serviços ecossistêmicos, posse de terra e impactos ambientais em quatro territórios importantes para a conservação do Cerrado e da Caatinga:
- Região do Parque Estadual Veredas do Peruaçu (MG)
- Região do Parque Nacional Serra da Capivara (PI)
- Região da Jurumenha (PI)
Na primeira fase do projeto, as equipes técnicas da Funatura vão a campo colher dados sobre a fauna, a flora e a socioeconomia desses territórios.
AÇÕES NO PIAUÍ
No Piauí, o projeto visa aumentar a conscientização sobre a importância da transição Cerrado-Caatinga. Só 3% desse tipo de vegetação está protegido por unidades de conservação. A Funatura já fez estudos na Região da Jurumenha há 10 anos, e vai atualizar as informações.
Na Região da Jurumenha, existem comunidades que dependem dos rios locais e complementam sua dieta com a caça e frutos de espécies nativas.
“Vamos atuar também onde há florestas estacionais e formações savânicas em uma região peculiar, por se inserir em um ecótono entre o Cerrado e a Caatinga, que ainda mantém remanescentes importantes no Piauí”, afirma a cocoordenadora do projeto, a geógrafa Mara Moscoso.
“As florestas estacionais constituem um ecossistema extremamente vulnerável no bioma Cerrado. Medidas de proteção são urgentes, pois se trata de uma região única em termos de biodiversidade.”
AÇÕES EM MINAS GERAIS
Em Minas Gerais, a região do Parque Estadual Veredas do Peruaçu abriga os últimos cachorros-vinagre (Speothos venaticus) ainda vivos, uma espécie altamente ameaçada de extinção. Vegetação também apresenta características do Cerrado e da Caatinga. Projeto em Minas gerais será coordenado pelo engenheiro florestal Cesar Victor do Espírito Santo.
A Funatura já está trabalhando as informações de georreferenciamento das áreas que serão visitadas. Equipes técnicas devem começar os trabalhos de campo entre julho e agosto. Projeto em parceria com o Rainforest Trust tem duração de cinco anos e vai contribuir com dados fundamentais para instituições, autoridades e profissionais que trabalham com temas relacionados ao meio ambiente.
“Preservação da natureza sempre demanda informações atualizadas sobre os ecossistemas”, afirma Pedro Bruzzi, superintendente da Funatura. “Com o apoio do Rainforest Trust, vamos conhecer um pouco melhor essas áreas e divulgar sua importância para o equilíbrio ambiental”.
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