Funatura inicia nova fase de projeto para fortalecer RPPNs na Chapada dos Veadeiros e no Grande Sertão Veredas

Nova etapa dá continuidade à parceria com o CEPF e amplia as ações de conservação em dois importantes territórios do Cerrado
I Encontro CEPF Cerrado 2026

A Fundação Pró-Natureza (Funatura) inicia uma nova etapa de sua atuação pelo fortalecimento das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) no Cerrado. O projeto Fortalecimento das Reservas Particulares do Patrimônio Natural nas regiões da Chapada dos Veadeiros e do Grande Sertão Veredas será desenvolvido entre agosto de 2026 e outubro de 2027, com atuação na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, e na região do Grande Sertão Veredas, em Minas Gerais. A iniciativa é executada pela Funatura com apoio do Critical Ecosystem Partnership Fund (CEPF) e do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

O início desse novo ciclo foi marcado pela participação da Funatura no 1º Encontro CEPF Cerrado – Povos, territórios e caminhos de conservação, realizado nos dias 28 e 29 de setembro, em Brasília. O encontro reuniu organizações apoiadas no terceiro ciclo de investimentos do CEPF no Cerrado para compartilhar experiências, conhecer os novos projetos e fortalecer possibilidades de colaboração entre as instituições e os territórios.

Para a Funatura, a Fase III representa, ao mesmo tempo, continuidade e expansão de um trabalho já desenvolvido junto às RPPNs. Na Chapada dos Veadeiros, a nova etapa dará sequência ao fortalecimento da rede de reservas particulares e às articulações construídas no território. O projeto agora amplia essa experiência para o Grande Sertão Veredas, onde está prevista a estruturação de uma rede de RPPNs e a aproximação com proprietários, proprietárias e outros atores locais. 

“Chegamos a esta nova fase com uma experiência importante construída na Chapada dos Veadeiros e, ao mesmo tempo, com o desafio de ampliar essa atuação para o Grande Sertão Veredas. Queremos fortalecer as redes, aproximar as pessoas que fazem a conservação acontecer e criar condições para que as RPPNs estejam cada vez mais conectadas e fortalecidas nos territórios”, destaca Luciano Souza, coordenador do projeto.

Novas reservas e fortalecimento de quem conserva

Entre os novos desafios estão a criação de 12 RPPNs e a elaboração de cinco Planos de Manejo, além do fortalecimento das redes de reservas particulares nos dois territórios. A nova fase também prevê a realização de encontros temáticos sobre gestão, um diagnóstico das RPPNs do Grande Sertão Veredas e ações voltadas à sustentabilidade das reservas, aos serviços ecossistêmicos, aos estudos para geração de créditos de biodiversidade, gênero e salvaguardas.

Além de ampliar a área protegida por meio da criação de novas reservas, a iniciativa busca fortalecer a gestão das áreas já existentes. Os Planos de Manejo, por exemplo, são instrumentos fundamentais para orientar a gestão e o manejo das RPPNs, enquanto as ações de mobilização permitirão aproximar proprietários e proprietárias, redes, instituições públicas, organizações da sociedade civil, pesquisadores e outros atores envolvidos com a conservação.

Outro eixo importante será a discussão sobre caminhos para a sustentabilidade das reservas. Temas como serviços ecossistêmicos, créditos de biodiversidade e mecanismos de sustentabilidade serão trabalhados ao longo do projeto, buscando aproximar conhecimento técnico e realidade territorial. 

“Criar novas RPPNs é fundamental, mas nosso desafio vai além. Precisamos fortalecer quem tomou a decisão de conservar, apoiar a gestão dessas áreas e construir redes capazes de permanecer atuantes no longo prazo. Cada RPPN representa uma escolha voluntária pela proteção do Cerrado e precisamos valorizar as pessoas que estão por trás dessa escolha”, afirma Luciano.

Pessoas e territórios no centro da conservação

A mobilização terá papel central nesta nova fase. O projeto prevê articulação direta com proprietários e proprietárias de RPPNs, pessoas interessadas na criação de novas reservas, integrantes das redes locais, órgãos ambientais, instituições públicas, organizações da sociedade civil, universidades e outros atores estratégicos. 

A participação das mulheres também será considerada de forma transversal nas atividades e na comunicação do projeto, buscando ampliar sua presença e representação em entrevistas, encontros, conteúdos e demais ações. 

A proposta parte do entendimento de que proteger uma RPPN significa também reconhecer as pessoas, as histórias e as escolhas que sustentam essas áreas ao longo do tempo. Por isso, além dos resultados técnicos, o projeto buscará dar visibilidade aos processos, aos aprendizados e a quem faz a conservação acontecer nos territórios.

Quatro décadas de atuação pela conservação

Com 40 anos de atuação pela conservação da natureza e pelo desenvolvimento sustentável, a Funatura construiu uma trajetória marcada pela proteção do Cerrado e de outros territórios brasileiros. Ao longo dessas quatro décadas, a organização tem contribuído para a criação e o fortalecimento de áreas protegidas, a conservação da biodiversidade, a gestão territorial e a articulação com comunidades, proprietários rurais, organizações da sociedade civil e instituições públicas.

A nova fase do projeto dá continuidade a essa trajetória e amplia a atuação da Funatura junto às RPPNs. Da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, ao Grande Sertão Veredas, em Minas Gerais, o trabalho segue fortalecendo redes, apoiando quem escolhe conservar e conectando pessoas, áreas protegidas e territórios em torno de um compromisso comum: a conservação do Cerrado no longo prazo.

Sobre o CEPF e o IEB

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos é uma iniciativa conjunta da Agência Francesa de Desenvolvimento, da Conservação Internacional, da União Europeia, da Fundação Franklinia, da Fundação Hans Wilsdorf, do Fundo Global para o Meio Ambiente, do Governo do Canadá, do Governo do Japão, da Fundação Hempel, The Nature Conservancy e do Banco Mundial. Uma meta fundamental é garantir que a sociedade civil esteja envolvida com a conservação da biodiversidade.

O Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) atua como a Equipe de Implementação Regional do CEPF. A missão do IEB é fortalecer os atores sociais e o seu protagonismo na construção de uma sociedade justa e sustentável, por meio de formação de pessoas, fortalecimento e articulação de instituições e grupos comunitários, e geração e disseminação de conhecimentos.

 

Crédito das fotos: Alice Lira ©️ Cinese Audiovisual

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