Funatura conclui estudos para apoiar ampliação do Parque Estadual Veredas do Peruaçu, em Minas Gerais

Atuação integra projeto desenvolvido com o Rainforest Trust em Minas Gerais e no Piauí e reúne conhecimento técnico, planejamento e diálogo para contribuir com estratégias de conservação
Foto: Arcanjo Daniel/Funatura

A Fundação Pró-Natureza (Funatura), em parceria com o Rainforest Trust, desenvolve nos estados do Piauí e de Minas Gerais uma iniciativa de longo prazo voltada ao fortalecimento de áreas protegidas e de outras estratégias de conservação da biodiversidade.

No Sudoeste do Piauí, uma das frentes do projeto está concentrada em uma região marcada pelo encontro entre Cerrado e Caatinga e pela presença de um importante patrimônio natural e cultural.

Nos últimos anos, a Funatura realizou estudos sobre aspectos físicos, bióticos, socioeconômicos e fundiários das áreas analisadas. Essa etapa técnica está concluída e fornece subsídios para o avanço dos processos relacionados à conservação da região.

Atualmente, o trabalho avança para uma etapa de articulação institucional e territorial. Foram realizados o mapeamento de atores locais e a elaboração de um plano de ação para orientar o diálogo com lideranças comunitárias, instituições de ensino, representantes do poder público e outros atores relacionados ao território.

“A conservação de um território começa pelo conhecimento, mas não termina nele. Os estudos técnicos nos ajudam a compreender a biodiversidade e as características das áreas, enquanto o diálogo nos permite incorporar as diferentes realidades e relações existentes no território. É essa combinação que buscamos fortalecer ao longo do projeto.”

Pedro Bruzzi, superintendente da Funatura

Conhecimento para orientar a conservação

A realização dos estudos técnicos é uma das etapas que subsidiam a construção de estratégias de conservação.

No Piauí, o projeto reúne informações que ajudam a compreender não apenas a biodiversidade, mas também características físicas e socioeconômicas, situação fundiária e diferentes usos do território.

A partir desse conjunto de informações, é possível analisar de forma mais qualificada os caminhos para ampliar a proteção de áreas naturais.

Água, biodiversidade e território

A conservação dessas áreas também está relacionada à proteção dos recursos naturais que sustentam os territórios.

Vegetação nativa, solos, nascentes e áreas de recarga fazem parte de sistemas conectados. Sua conservação contribui para a proteção dos recursos hídricos e para a manutenção dos processos ecológicos.

A conectividade entre áreas naturais também é importante para o deslocamento da fauna e para a manutenção dos fluxos ecológicos, especialmente em paisagens fragmentadas.

Essas relações ganham ainda mais relevância diante das mudanças climáticas e da necessidade de aumentar a capacidade dos territórios de responder a períodos de seca e outros eventos extremos.

Conservação e desenvolvimento territorial

As estratégias de conservação também podem dialogar com atividades e oportunidades existentes nos territórios.

Turismo de natureza e cultural, agricultura familiar, produção de mel, artesanato e produtos da sociobiodiversidade estão entre as atividades que podem se relacionar à valorização do patrimônio natural e cultural.

Pensar a conservação de forma integrada significa, portanto, considerar biodiversidade, recursos naturais, comunidades, atividades produtivas e desenvolvimento territorial.

Um processo construído em etapas

No Piauí, a Funatura vem realizando articulações preparatórias para as próximas etapas do processo. Já foram iniciadas reuniões com diferentes instituições e representantes, e novas agendas territoriais estão previstas para ampliar o diálogo e preparar as etapas participativas. Entre as ações em planejamento está a realização de uma visita coletiva a uma unidade de conservação no estado, reunindo lideranças locais, representantes de prefeituras, universidades e outros atores estratégicos. A atividade terá como objetivo promover a troca de experiências, ampliar o conhecimento sobre áreas protegidas e sensibilizar os participantes sobre os benefícios associados à criação e à ampliação de unidades de conservação no Piauí.

Essas atividades têm caráter preparatório e não substituem as consultas públicas ou outros procedimentos formais necessários aos processos de criação ou ampliação de unidades de conservação, cuja realização depende da condução e das orientações dos órgãos competentes.

É nesse caminho, combinando conhecimento técnico, planejamento, articulação e participação, que a Funatura busca contribuir para a conservação do patrimônio natural e cultural do Sudoeste do Piauí.

Foto: Arcanjo Daniel/Funatura

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