A Fundação Pró-Natureza (Funatura), em parceria com o Rainforest Trust, desenvolve nos estados do Piauí e de Minas Gerais uma iniciativa de longo prazo voltada ao fortalecimento de áreas protegidas e de outras estratégias de conservação da biodiversidade.
No Sudoeste do Piauí, uma das frentes do projeto está concentrada em uma região marcada pelo encontro entre Cerrado e Caatinga e pela presença de um importante patrimônio natural e cultural.
Nos últimos anos, a Funatura realizou estudos sobre aspectos físicos, bióticos, socioeconômicos e fundiários das áreas analisadas. Essa etapa técnica está concluída e fornece subsídios para o avanço dos processos relacionados à conservação da região.
Atualmente, o trabalho avança para uma etapa de articulação institucional e territorial. Foram realizados o mapeamento de atores locais e a elaboração de um plano de ação para orientar o diálogo com lideranças comunitárias, instituições de ensino, representantes do poder público e outros atores relacionados ao território.
“A conservação de um território começa pelo conhecimento, mas não termina nele. Os estudos técnicos nos ajudam a compreender a biodiversidade e as características das áreas, enquanto o diálogo nos permite incorporar as diferentes realidades e relações existentes no território. É essa combinação que buscamos fortalecer ao longo do projeto.”
Pedro Bruzzi, superintendente da Funatura
Conhecimento para orientar a conservação
A realização dos estudos técnicos é uma das etapas que subsidiam a construção de estratégias de conservação.
No Piauí, o projeto reúne informações que ajudam a compreender não apenas a biodiversidade, mas também características físicas e socioeconômicas, situação fundiária e diferentes usos do território.
A partir desse conjunto de informações, é possível analisar de forma mais qualificada os caminhos para ampliar a proteção de áreas naturais.
Água, biodiversidade e território
A conservação dessas áreas também está relacionada à proteção dos recursos naturais que sustentam os territórios.
Vegetação nativa, solos, nascentes e áreas de recarga fazem parte de sistemas conectados. Sua conservação contribui para a proteção dos recursos hídricos e para a manutenção dos processos ecológicos.
A conectividade entre áreas naturais também é importante para o deslocamento da fauna e para a manutenção dos fluxos ecológicos, especialmente em paisagens fragmentadas.
Essas relações ganham ainda mais relevância diante das mudanças climáticas e da necessidade de aumentar a capacidade dos territórios de responder a períodos de seca e outros eventos extremos.
Conservação e desenvolvimento territorial
As estratégias de conservação também podem dialogar com atividades e oportunidades existentes nos territórios.
Turismo de natureza e cultural, agricultura familiar, produção de mel, artesanato e produtos da sociobiodiversidade estão entre as atividades que podem se relacionar à valorização do patrimônio natural e cultural.
Pensar a conservação de forma integrada significa, portanto, considerar biodiversidade, recursos naturais, comunidades, atividades produtivas e desenvolvimento territorial.
Um processo construído em etapas
No Piauí, a Funatura vem realizando articulações preparatórias para as próximas etapas do processo. Já foram iniciadas reuniões com diferentes instituições e representantes, e novas agendas territoriais estão previstas para ampliar o diálogo e preparar as etapas participativas. Entre as ações em planejamento está a realização de uma visita coletiva a uma unidade de conservação no estado, reunindo lideranças locais, representantes de prefeituras, universidades e outros atores estratégicos. A atividade terá como objetivo promover a troca de experiências, ampliar o conhecimento sobre áreas protegidas e sensibilizar os participantes sobre os benefícios associados à criação e à ampliação de unidades de conservação no Piauí.
Essas atividades têm caráter preparatório e não substituem as consultas públicas ou outros procedimentos formais necessários aos processos de criação ou ampliação de unidades de conservação, cuja realização depende da condução e das orientações dos órgãos competentes.
É nesse caminho, combinando conhecimento técnico, planejamento, articulação e participação, que a Funatura busca contribuir para a conservação do patrimônio natural e cultural do Sudoeste do Piauí.
