O Cerrado ocupa 1,98 milhão de km², o equivalente a 23,3% do território brasileiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Presente em todas as regiões do país e em 1.434 municípios, é o segundo maior bioma brasileiro em extensão.
Mais do que sua dimensão territorial, o Cerrado se destaca pela diversidade de paisagens, espécies e modos de vida. Campos, veredas, matas de galeria, cerradões e diferentes formações savânicas compõem um mosaico de ambientes que sustenta uma biodiversidade singular e desempenha papel fundamental na conservação dos recursos hídricos.
É também território de povos indígenas, comunidades quilombolas e diferentes povos e comunidades tradicionais, além de agricultores familiares e outras populações que mantêm relações históricas com o bioma, seus recursos e sua biodiversidade.
Neste 11 de setembro, Dia do Cerrado, celebrar toda essa riqueza também significa olhar para os desafios de sua conservação.
Um cenário que exige atenção e continuidade
Os dados oficiais mais recentes mostram avanços importantes, mas também ajudam a dimensionar o tamanho do desafio.
O sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), registrou 7.235,27 km² de vegetação nativa suprimida no Cerrado entre agosto de 2024 e julho de 2025. O número representa uma redução de 11,49% em relação ao período anterior, quando foram registrados 8.174,17 km².
Os dados mais recentes do sistema Deter também apontam uma tendência de redução. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, foram identificados 5.119,46 km² sob alertas de desmatamento no Cerrado, uma queda de 7,8% em relação ao ciclo anterior e o menor valor dos últimos cinco anos.
Os dois sistemas têm funções diferentes: enquanto o Prodes realiza o mapeamento anual consolidado da supressão de vegetação nativa, o Deter produz alertas para apoiar ações de fiscalização e controle. Por isso, seus números não devem ser comparados diretamente. Juntos, porém, ajudam a acompanhar as transformações que continuam ocorrendo no território.
A redução registrada nos últimos períodos é uma sinalização positiva, mas não diminui a necessidade de ampliar e manter os esforços de conservação. Milhares de quilômetros quadrados de vegetação nativa continuam sendo suprimidos, com impactos sobre habitats, conectividade das paisagens, recursos hídricos e modos de vida associados ao Cerrado.
Conservar exige diferentes caminhos
Um bioma com a dimensão e a diversidade do Cerrado exige estratégias igualmente diversas.
Conservar significa proteger áreas naturais e ampliar sua conectividade. Significa restaurar áreas degradadas, proteger nascentes e veredas, monitorar a biodiversidade e produzir conhecimento para orientar decisões.
Também significa fortalecer formas de produção que valorizem a biodiversidade e mantenham a vegetação nativa, apoiar comunidades e reconhecer os conhecimentos construídos por quem vive no território. Significa criar oportunidades para que conservação, geração de renda e qualidade de vida caminhem juntas.
Para o superintendente executivo da Funatura, Pedro Bruzzi, a conservação do Cerrado precisa considerar essa diversidade de dimensões e, sobretudo, as relações construídas nos territórios.
“Conservar o Cerrado exige olhar para o território de forma integrada. Não basta proteger áreas isoladas. É preciso fortalecer áreas protegidas, recuperar paisagens, valorizar a sociobiodiversidade e construir soluções junto às pessoas que vivem nesses territórios. É nessa conexão que a Funatura tem buscado atuar”, afirma Bruzzi.
É a partir dessa compreensão que a Funatura constrói sua atuação.
Ao longo de sua trajetória, a organização tem desenvolvido e apoiado iniciativas voltadas à criação e ao fortalecimento de áreas protegidas, restauração ecológica, monitoramento da biodiversidade, sociobiodiversidade, agroextrativismo, turismo de natureza e articulação territorial.
São diferentes frentes que se encontram em um mesmo propósito: transformar a conservação em ação concreta nos territórios.
Na Chapada dos Veadeiros e no Grande Sertão Veredas, o fortalecimento das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) contribui para ampliar a proteção de áreas naturais e aproximar proprietários, organizações e diferentes atores envolvidos na conservação.
Em outras regiões do Cerrado, ações de restauração, implantação e fortalecimento de viveiros, monitoramento de fauna, apoio a cadeias da sociobiodiversidade e valorização de conhecimentos locais mostram que conservar não depende de uma única solução.
Depende de redes, de ciência e conhecimento e, principalmente, das pessoas que vivem, trabalham e cuidam desses territórios.
O futuro do Cerrado se constrói agora
O Dia do Cerrado é uma oportunidade para reconhecer a importância de um bioma que ocupa quase um quarto do Brasil. Mas a data também nos lembra que sua conservação é uma responsabilidade permanente.
Os indicadores recentes mostram que reduzir a perda de vegetação nativa é possível. O desafio é fazer com que essa trajetória seja contínua e acompanhada pelo fortalecimento das áreas protegidas, pela restauração de paisagens, pelo uso sustentável da biodiversidade e pela valorização das comunidades e dos conhecimentos associados ao Cerrado.
Cada área protegida, cada hectare restaurado, cada espécie monitorada, cada nascente conservada e cada comunidade fortalecida integra esse esforço coletivo.
Neste 11 de setembro, a Funatura reafirma seu compromisso de seguir trabalhando para que a biodiversidade, as águas, as paisagens, os saberes e os modos de vida do Cerrado continuem fazendo parte do presente e do futuro do Brasil.


